Inscrições Abertas para o Viladança em Residência #03

Inscrições Abertas para o Viladança em Residência #03

O Núcleo Viladança abre inscrições, até 30 de setembro, para o projeto Viladança em Residência #03, que traz a Salvador o coreógrafo colombiano Vladimir Rodriguez, da Cia Cortocinesis. Com o objetivo de promover o intercâmbio entre bailarinos baianos e estrangeiros, a ação visa estimular a prática em processos de criação em dança contemporânea. A residência é voltada para bailarinos, atores, artistas de circo e pessoas com habilidades corporais.

Após inscrições, serão divulgados no dia 2 de outubro os artistas que participam da audição que acontece no dia 4 do mesmo mês, terça-feira, das 14h às 18h. Até 15 intérpretes serão selecionados para acompanhar e participar da residência durante todo o mês de outubro, com início no dia 5 e atividades de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h30, no Teatro Vila Velha. Uma mostra do resultado do intercâmbio será apresentada na Sala João Augusto, no Vila, ao final do processo. Para esse formato de residência não haverá remuneração aos participantes selecionados.  Não haverá também cobrança para participação da residência.

“O objetivo do projeto Viladança em Residência é estimular o intercâmbio entre artistas internacionais e locais, ser um elo entre culturas, novas ideias e novos fazeres. Estreamos em 2015 trazendo a Costa Rica e a Espanha e verificamos diversos desdobramentos dos resultados artísticos dessas residências, com convites a festivais e viagens internacionais, mas não somente isso. O resultado está também na ampliação dos horizontes dos participantes, que investem em uma formação diferenciada, em descobertas de novas parcerias…”, comenta a coreógrafa Cristina Castro, diretora do Núcleo Viladança. No último ano, o Núcleo Viladança trouxe a Salvador os coreógrafos Marko Fonseca e Raúl Martínez, do grupo Los INnato, da Costa Rica, que criaram o espetáculo “Good / Looking”, e teve na sua segunda edição o espanhol Asier Zabaleta, que montou “Tirania das Cores”, além do solo “Demolições”, de Thiago Cohen. “A cada residência aprendemos uma nova língua, um novo vocabulário corporal, que vem de culturas diferentes”, complementa Cristina.

 

O projeto tem o patrocínio do Iberescena, Funarte, Ministério da Cultura e Governo Federal, é realizado pelo Núcleo Viladança e pela Manga Rosa Produções, e conta com o apoio institucional do Teatro Vila Velha.

 

Acesse o regulamento no link: https://goo.gl/wO1Mp2

Preencha o formulário abaixo:

https://goo.gl/forms/fal6P63VIAAN2OFg1


 

Sobre Vladimir Rodriguez:

Vladimir Rodriguez é bailarino e coreógrafo. Em 2003, fundou a companhia de dança contemporânea Cortocinesis com a qual desenvolve investigações e apostas coreográficas através da construção do sistema de treinamento “Piso Móvil”. Tem colaborado como bailrino em diferentes companhias e associações como Coleletivo Único (França), Faizal Zeghoudi (França), Esther Aumatell (França), Adarte (Itália), Déjà Donné (Itália), entre outras. Como coreógrafo foi convidado por Delfos Danza Contemporánea, Tumak’at, Danza Joven de Sinaloa, La Bruja, Andanza, todas companhias mexicanas. Como docente e coreógrafo colaborou com instituições como a Academia Superior de Artes de Bogotá (Colômbia), a Escuela Profesionalde Danza de Mazatlán (México) e o DuncanCentre en Praga (República Checa), entre outras. En 2010 ganhou o Premio Nacionalde Danza en Colombia com o espetáculo “Papayanoquieroserpapaya”. Entre 2011 e 2013 desenvolveu o projeto “ESCrito Absurdo” junto ao bailarino mexicano Omar Carrum. Em 2013 obteve diploma Master Pro “Mise en Scène et Dramaturgie” de la Universidad de Nanterre Paris X (Francia).
Sobre a Residência Artística:

Nome da Residência: El Movimiento Proferado

Objetivo da residência

Construir ferramentas úteis para o intérprete cênico a partir da dança contemporânea, mas fortalecendo seus recursos gestuais e sonoros como elementos substanciais ao movimento.

Desenvolver uma linguagem pessoal (oral e cinética) que construa a especialidade da Cena e desenvolva suas complexidades dramatúrgicas.

Construir um espetáculo de improvisação (a partir de intérpretes individuais) sob pautas restritas mas fortemente expressivas em busca de uma existência teatral (a partir de intérpretes coletivos).

 

Conteúdo que irá desenvolver na residência

O corpo como ferramenta caligráfica para o espaço.

A Escritura do Movimento Improvisado como uma primeira aproximação com a construção dramatúrgica e espacial.

O gesto e o som como recursos pontuais junto ao movimento para gerar a força expressiva do intérprete.

A linguagem e seu parentesco imediato com o “gramlo” (jargão ou língua inventada ao vivo durante uma improvisação).

– A linguagem como recurso cinético e não conceitual.

– A linguagem proferida como mecanismo para expressar uma ideia específica e transformá-la durante sua exposição.

Ao final da residência, nossas pesquisas lançarão uma peça teatral conduzida primordialmente pelo corpo, gesto e voz. Se desenvolverão atos improvisados e fixos dentro da peça com a ambição de apresentar uma ideia que exceda sua existência conceitual e sofra várias metamorfoses expressivas para expor sua natureza carnal.

 

Publico alvo (tipo de dançarino que irão selecionar)

Dançarinos e/ou atores com fortes habilidades técnicas (dança contemporânea, circo, teatro físico, artes marciais etc) e com grande curiosidade pela exploração do gesto e do som oral (primordialmente) para a construção de sua interpretação.

 

Metodologia

Treinamento Piso Móvil
Este sistema baseia-se na superfície horizontal do chão como referência formal (de peso e de deslocamento no espaço) dos processos de movimento e alinhamento corporal. Através do contato com o chão, o intérprete desenvolve uma relação de apoio, motor de impulso e engrenagem, assim como um gerenciamento efetivo da relação com suas “entradas e saídas” ao solo. Como consequência, o intérprete aprimora sua propriocepção e desenvolve o tônus muscular que lhe permite melhorar a coordenação entre a matéria densa do chão e a matéria leve do ar. Seu corpo se transforma em agente de conexão entre o horizontal e o vertical através das espirais e as trajetórias de seus movimentos ganham relevância sobre as formas. Aborda nesta lógica a relação com outros corpos e sua estrutura biomecânica através da manipulação ou das trajetórias “ao redor” do outro e constrói assim nossa ideia de “partnering” ou relação entre dois ou mais corpos em um mesmo espaço.

 

A escritura do movimento improvisado.

Escrever refere-se a imprimir uma ideia sobre um suporte. Se nosso suporte é o espaço, nossa escritura se propaga graças a nosso corpo e sua maneira de traçar em tal espaço. A improvisação coloca em jogo esta capacidade, ao mesmo tempo que nos pressiona para levar a cabo nossas ideias. Em consequência, quando falamos de “escritura do movimento improvisado” não nos referimos somente à linha ou desenho através do corpo, mas também à carga do traço, à intencionalidade de uma ação e por fim a sua profunda consequência teatral. Esta experiência será palpável através da improvisação, que colocará em jogo nossas ferramentas motoras ao mesmo tempo que nossa “intuição” teatral.
Estruturas Móveis

A partir do sistema de treinamento “Piso Móvil” (o contato com o chão como uma relação de apoio, motor de impulso e engrenagem para superfície), a “estrutura móvel” propõe a experiência da posição vertical a partir da construção de mecanismos de contato com outros corpos que nos explicam as possibilidades biomecânicas, suas adaptações, suas soluções e suas implicações articulares, musculares, proprioceptivas e de coordenação. É um encontro com o outro a partir do reconhecimento e da negociação de nossas possibilidades biomecânicas frente às possibilidades do outro. Por isso a ideia do contato como espaço de compreensão, pesquisa e observação e do trabalho em dupla, como lugar de escuta e tolerância a partir do reconhecimento das capacidades e limites de outros corpos.