Residência Artística promovida pelo Núcleo Viladança entre maio e junho de 2015 com os coreógrafos Marko Fonseca e Raúl Martínez (Los INnato/Costa Rica). Para esta residência, os intérpretes-criadores selecionados foram: Ariel Oliveira, Guilherme Fraga, Jônatas Raine, Lukas de Jesus e Viola Luise (Luba).

O coletivo Los INnato foi fundado por Marko Fonseca e Raúl Martínez no ano de 2009. Ambos estudaram no Conservatorio El Barco e trabalharam em diferentes companhias da Costa Rica. O coletivo conta com mais de 10 espetáculos cênicos, apresentados tanto na América Latina quanto na Europa. Atualmente, eles mantém um trabalho de pesquisa e colaboram com diferentes artistas da área, ministram oficinas de inPRACTICAL (movimento contemporâneo – partnering) e fazem parcerias em diferentes centros educativos, tanto na Costa Rica como fora do país.

Marko Fonseca e Raúl Martínez - Foto Paulo Fuga

Não pretendemos nos expor, não pretendemos ser o reflexo do outro, não estamos em posição vulnerável… Não somos artistas, não somos atores, não tentamos dançar, não tentamos redimir nossas ações… Não somos anarquistas, nem socialistas, não queremos ser profetas, nem pastores, não somos almas gêmeas, nem buscamos amantes, não buscamos o amor, não queremos ser livres, não somos capitalistas, nem consumistas, nem ecologistas, nem guerrilheiros… Não buscamos uma paz incerta, nem uma guerra anunciada, não pretendemos ser o grito desesperado da sociedade, nem tentamos ser a esperança da mesma… Não tentamos ser, simplesmente somos.

Marko Fonseca e Raúl Martínez (Los INnato/Costa Rica)

Entre os dias 19 e 21 de junho, o Teatro Vila Velha sedia as apresentações do espetáculo de dança “Good / Looking”, fruto da primeira residência artística promovida pelo Núcleo Viladança neste ano em Salvador. O projeto selecionou cinco artistas baianos para participar de um processo de criação sob a orientação de Marko Fonseca e Raúl Martínez, do Los INnato, da Costa Rica.

“Good / Looking” é um espetáculo baseado na exposição e na vulnerabilidade humanas. Cinco indivíduos se encontram num espaço cotidiano, onde compartilham seus medos, sonhos e pudores – espaço que se transforma em cenário e que permite o retorno aos sentimentos reais, deixando máscaras ou aparências para trás. O jogo com o que é pessoal é a base desta criação cênica. Os intérpretes-criadores são os cinco profissionais selecionados para realizar a residência artística: Lukas de Jesus, Jônatas Raine, Luba, Ariel Oliveira, Guilherme Fraga.

As residências – ações propositivas que se consolidaram a partir dos anos 1980 em cidades da Europa, Estados Unidos e Japão -, têm como foco a convivência e ganham espaço cada vez maior nas artes contemporâneas. Com esta ação, o Núcleo Viladança busca consolidar  um espaço de residências artísticas em dança na Bahia, abrindo novas possibilidades de criação e remuneração para a classe de dança no estado e aquecendo o mercado local. Nessa ação, os dançarinos selecionados são contratados e remunerados com uma bolsa para acompanhar toda a residência e realizar as apresentações.

O programa de residências artísticas tem ainda uma segunda fase, dessa vez com o coreógrafo espanhol Asier Zabaleta, da Cia Ertza, quando mais cinco bailarinos serão selecionados e contratados. O projeto tem o patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura, O Boticário na Dança, através da Lei Rouanet e é realizado pelaManga Rosa Produções, pelo Ministério da Cultura e Governo Federal – Pátria Educadora. Para a manutenção das suas atividades, o Núcleo Viladança conta com o patrocínio da Petrobras e apoio institucional do Teatro Vila Velha.

Direção do espetáculo: Marko Fonseca e Raúl Martínez (Los INnato)

Intérpretes-criadores: Ariel Oliveira, Guilherme Fraga, Jônatas Raine, Lukas de Jesus, Viola Luise (Luba)

Figurino: Coletivo

Iluminação: Luiz Guimarães

Trilha Sonora: Los INnato

Edição de áudio: Caio Terra

Intérpretes-Criadores

Em maio de 2015, cinco artistas foram selecionados através de audição pública para participar da primeira Residência do Núcleo Viladança. Conheça mais sobre cada um deles.

Foto: Paulo Fuga

Ariel Oliveira

Seu primeiro breve contato com a dança surgiu quando tinha 12 anos, através de um grupo de hip-hop. Depois, adotou o yoga como estilo de vida. Faz parte da Universidade LIVRE do Teatro Vila Velha, na qual sua formação como ator inclui o contato com outras linguagens artísticas, inclusive a Dança – sobretudo a dança afro.

Foto: Paulo Fuga

Guilherme Fraga

Realizou espetáculos de dança contemporânea e balé clássico com o Grupo Êxtase de Dança, no qual atuou como bailarino de 2010 a 2013. Neste período, trabalhou com o maître cubano Reynaldo Muniz e com coreógrafos como Mário Nascimento, Alex Neoral e Fernando Martins. Atualmente, é intérprete-criador do Balé Jovem de Salvador, professor da Escola de Dança da FUNCEB e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Dança da Universidade Federal da Bahia, onde pesquisa as relações entre composição coreográfica e tecnologias digitais.

Foto: Paulo Fuga

Jônatas Raine

Teve seu primeiro contato com a Dança através da dança de salão, com o professor Jaime Arôxa, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Graduou-se em Dança pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Trabalhou como bailarino do Grupo de Dança Primeiro Ato por dois anos. Teve contato com a Mimulus (Cia. e Escola de Dança) e com vários profissionais renomados, como Betina Bellomo, Suely Machado, Jomar Mesquita e Paulinho Babreck. Hoje, na Bahia, atua como intérprete-criador do Balé Jovem de Salvador, além de lecionar Artes em escolas formais para o ensino fundamental I e II na região.

Foto: Paulo Fuga

Lukas de Jesus

É bailarino formado pela Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Foi bailarino convidado para os 50 Anos da Gala Clássica da Ebateca, em que dançou o Fausto – Noite de Walpurgis do coreógrafo Michael Lavrovsky e Grand Defilé do coreógrafo Carlos dos Santos, Répétiteuse: Juliana De-Vecchi. Interpretou Sertania da coreógrafa Lia Robatto e Sagração da Primavera de Oscar Araiz no BTCA Memória. Atualmente integra ao Balé Jovem de Salvador sob a direção geral de Matias Santiago. Já fez parte do grupo Experimental de Câmara do Projeto Axé (G.E.C.A).

Foto: Paulo Fuga

Viola Luise (Luba)

Viola Luise (Luba), natural da Alemanha, é estudante do curso de Licenciatura/Bacharelado em dança pela Universidade Federal da Bahia e integrante de um grupo de danças urbanas  composto só por mulheres, BrasilStyleBgirls – Extensão Salvador, cuja primeira encenação foi aprovada pelo edital Quarta que Dança 2014, na rúbrica “dança de rua”. Em 2012 e 2013, tornou-se bolsista do estúdio Physio Pilates e integrou o Grupo de Dança Contemporânea da UFBA, que se apresentou em Salvador, Camaçari, São Paulo e Bogotá/Colômbia. Atua como dançarina, professora e coreógrafa na Fundação Cultural do Estado da Bahia e no Centro Cultural do Ensaio, alem de administrar oficinas de Dancehall em Salvador e via The MasterWorkshopClass, Vai Ferver! e IndepenDance – eventos de danças urbanas (2013 e 2014 Campina Grande, PA e Pipa, RN, Brasil).